terça-feira, 16 de agosto de 2016

A minha luta contra o excesso de peso

Em pequenina era bem redondinha, mas quando entrei para o 1º ano já tinha perdido aquele meu ar roliço. Entrei na adolescência sempre sem quaisquer problemas de excesso de peso, comia de tudo e perdia peso mais facilmente do que aquele que ganhava. As coisas mudaram ligeiramente quando comecei a tomar a pílula anticoncepcional. Comecei a notar algumas alterações e ganhei mesmo uns quilinhos extra. O meu peso costumava andar pelos 55kg (tenho 1,65m de altura), frequentemente baixava 1 ou 2 kg, mas de repente passei para os 63kg.




Depois de casar, aos 24 anos, nunca mais voltei a ter menos de 65kg. Quando engravidei estava com 69kg e decidi que uma das minhas principais preocupações na gravidez tinha obrigatoriamente de ser o controlo de peso, para não pôr o meu bebé em risco e não ter acrescidos problemas de saúde. Foi uma gravidez abençoada, felizmente não me apeteciam doces nem nada do género, mas toneladas de fruta, talvez por ser verão. Desconhecia os teores de açúcar presentes nas diferentes frutas e apanhei um valente susto quando as análises detetaram que andava perto de uma diabetes gestacional. Como podia ser se não comia doces, nem gelados? Pois se eu até congelava iogurtes magros para comer como gelados e não ser tentada a fazer disparates... Pois, e fazia muito bem, não fazia lá muito bem era em comer 3 ou 4 laranjas por dia... essas sim, estavam a estragar tudo. Uma não faria mal, mas eu comia-as literalmente às carradas. 

  

Passei a ser mais disciplinada e a ter em casa mais melancia, morangos (muito bem lavados), muitas peras e maçãs e a evitar a banana, as uvas e as frutas exóticas mais doces. Funcionou, tudo voltou ao normal e no final dos nove meses havia engordado 9kg, e o meu bebé nasceu com  3,350Kg e umas lindas bochechinhas. Saí da maternidade com um kg a menos do que quando engravidara. 

Amamentei até aos 8 meses e como o meu G. sempre foi um bebé comilão, não tive grandes problemas, é certo que não conseguia reverter para o peso de solteira, mas pelo menos também não engordava.

Quando o meu filho nasceu, passei a trabalhar em casa, apesar de pertencer à mesma empresa. Aí, comecei a notar que ganhava peso com muita facilidade. Quando o meu pequenote tinha dois anos e meio, o meu marido teve um problema de saúde grave e passou praticamente um mês no hospital. Com a correria e as preocupações emagreci 2 ou 3 kg, mas quando tudo acalmou, os safados voltaram.

O que mais estranhei foi que devido ao problema de saúde do meu marido, estávamos a fazer uma alimentação mais equilibrada, mas atribuí ao facto de eu ter um horário um bocadinho louco (acordava às 5h e muitas vezes para me deitar cedo acabava por ir deitar-me logo a seguir ao jantar).

Até que uma médica desconfiou que eu poderia ter problemas de tiróide, o que se confirmou. Uma tiroidite de Hashimoto, com tendência para o hipotiroidismo. Aí percebi que uma data de sintomas que tinha e sempre havia desvalorizado, se deviam ao facto de a minha tiróide não funcionar tão bem quanto deveria. Mas pelos vistos ela funciona mal, mas não suficientemente mal para que possa ser medicada. Ou  seja, o problema permaneceu. 

Depois veio um aumento mais substancial de peso. No verão de 2015, estava com 86kg e tinha a noção que até já devia ter pesado mais um ou dois kg do que tinha quando finalmente enfrentei a balança. Quando as férias começaram e vi fotos minhas, não queria acreditar. Tinha 38 anos, hipertensão que já me obrigava a tomar medicação, problemas na anca que se agravariam à medida que engordasse ou pelo menos se mantivesse aquele peso e psicologicamente começava a sentir-me afetada.


Nesse agosto de 2015, que nunca mais vou esquecer, decidi virar a página. Mesmo durante as férias comecei já a evitar 'comportamentos de risco'...  o inofensivo gelado, os hidratos de carbono ao jantar, o dormir de barriga cheia, guerra aos refrigerantes... a luta começou! 

No regresso fiz duas coisas que, no meu caso, resultaram muito bem. Uma delas foi ter estabelecido uma meta: 65kg. Como é óbvio queria ainda menos, mas 65 já me pareciam tão improváveis que resolvi estabelecer uma meta não muito irreal. Outra coisa, e que me ajudou muito a perceber algumas dinâmicas da alimentação, foi ter instalado a aplicação Fatsecret. Nos primeiros meses, apontava lá tudo aquilo que ingeria e fazia a contagem de calorias. Ia inserindo também as minhas pesagens, e acabava por funcionar como um incentivo. 



Os resultados começaram a surgir, também porque fui alterando as minhas rotinas alimentares. Da minha alimentação passaram a constar alimentos como os flocos de aveia, farelo de trigo, quinoa, chia, sementes variadas, frutos secos, beterraba, farinha de alfarroba, queijo quark, etc. Passei a beber pelo menos 1L de chá por dia, geralmente até bebo mais, tenho sempre em atenção que o chá verde não prejudique a minha hipertensão, mas tem sido tranquilo. 

Muitas maçãs e peras e nem as cenouras escapam quando me dá vontade de trincar alguma coisa. Se faço algum bolo em casa, opto sempre pela farinha integral. Muita sopinha, e procuro ter sempre variedade de legumes congelados em casa, para quando não há frescos, não haver desculpa. Comecei também a usar leite de soja, mas confesso que foi mais por me sentir menos inchada do que propriamente por uma questão de peso. Quando faço uma refeição que tradicionalmente leve natas, uso creme de soja, uma alternativa mais saudável. Mas também não abuso, é mais para o resto da prole ;) 

E o mais engraçado foi chegar a uma dada altura e perceber que agora até como com mais prazer. Mas o bom disto tudo é, a esta altura do campeonato, estar com 66kg e a 1kg do meu objetivo inicial: os ambicionados 65kg. Este ano diverti-me na praia como já não me divertia há muitos anos. Sinto-me "mais eu" neste novo corpo. E não vejo a hora de me lançar no novo desafio, rumo aos 60kg. Confesso que a uma dada altura fiquei em pânico por estar a conseguir perder peso como há muito não conseguia. Cheguei a achar que podia estar com uma doença grave. Fui ao médico e fiz um chekup completo. Felizmente não havia nada de preocupante, até pelo contrário, tudo o que dantes estava mau, agora estava bem melhor.



               
                      

   



          

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