Tinha do povo alemão uma visão de um povo algo rígido, pouco descontraído. Mas há dias li na revista Time (http://time.com/) um artigo que relatava a experiência de uma mãe americana que vai viver para a Alemanha e dá de caras com uma realidade com a qual não esperava deparar-se: um povo que tenta incutir as noções de responsabilidade e confiança nas suas crianças desde muito cedo e de uma forma muito natural e descontraída.
Uma das coisas que lhe fez imensa confusão foi estar num parque infantil e ver os pais completamente embrenhados nas suas conversas, enquanto os miúdos brincavam e trepavam por todo o lado, chegando mesmo a atingir grandes alturas em brinquedos mais altos. Também a mim faria, confesso, que não tiro os olhos do meu nem por nada, então especialmente quando era mais pequenino, eu era a verdadeira mãe-sombra, ficava sem pinga de sangue se de repente ele se me escapava da vista...
Outro facto que causou estupefação a Sara foi a forma como as crianças no pré-escolar não são de forma alguma estimuladas para a leitura. O jardim de infância funciona apenas como um espaço de brincadeira e de aprendizagem das regras básicas da interação social. E mesmo no primeiro ano do ensino oficial, as crianças não são tão forçadas a ler como por exemplo no nosso país. E até se podia pensar que os indicadores de literacia na Alemanha poderiam sair prejudicados, mas não, estão mesmo acima da média. Não me conformo com isto, vai contra todos os meus princípios!! ;) Não acho que se deva forçar, mas sim corresponder aos estímulos das crianças dessas idades, elas querem sempre mais, não lhes devemos negar isso. Eu lembro-me do meu G. com três anos e uns meses, na hora de lermos as histórias do final do dia, interrompia-me diversas vezes a perguntar que letra era aquela e mais aquela e a outra...
Uma coisa que os alemães encorajam imenso e aí, dou-lhes toda a razão, é o contacto das suas crianças com os espaços de brincadeira ao ar livre. O clima por lá, como sabemos, está longe de ser ameno, mas nem nos dias cinzentos e frios prendem os petizes em casa.
Deixar os filhos andarem pelas redondezas sozinhos é outra coisa que também faz parte da mentalidade alemã. Na sua perspetiva, não se trata de desleixo ou abandono, mas sim de lhes transmitir confiança e fazer com que ganhem mais responsabilidade. Se eu até posso perceber a lógica deste ponto de vista, daí a pô-lo em prática vão outros quinhentos. Não sou uma assanhada mãe-galinha, mas não consigo ficar descansada, provavelmente porque a zona onde vivemos a nível de trândito é algo complicada. Faz-me muita confusão deixá-lo ir sozinho a qualquer lado. Também ainda fez 10 anos agora e não tardará o dia em que vai ficar envergonhado de andar com a mãe atrás, e nessa altura, por mais que me custe, vou ter de lhe dar o espaço dele... sempre com um olho fechado e outro aberto!!! LOLL
Na verdade, a conclusão que tirei deste artigo que podem ler em http://time.com/3720541/how-to-parent-like-a-german/?xid=time_socialflow_twitter foi que, às vezes, querer controlar tudo pode não ser tão benéfico como pensamos. É certo que não vou passar a deixar o rapaz à solta, nem pouco mais ou menos, mas às vezes, se relaxar um pouco posso transmitir-lhe mais confiança. Sabemos como os nossos filhos ficam orgulhosos da confiança que depositamos neles e isso também é muito importante para o seu desenvolvimento, fazê-los sentir "eu sou capaz!".
Um blog que não se dedica a um tema em particular, mas onde cabem todas as aventuras e desventuras, considerações e desconsiderações de quem hoje em dia se atreve a viver com esperança num futuro melhor. Vamos a isso?
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Confiar também é educar
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
O 'não' que te vai fazer feliz um dia...
Ser mãe (ou pai) é desafiante a cada minuto que passa... e a aventura começa logo naquele instante em que se recebe a notícia mais estonteante da nossa vida: vamos ser pais!! Tantas decisões para serem tomadas, tantas dúvidas para esclarecer, tantos receios a ultrapassar. Nove meses em autêntico turbilhão de emoções... que não serão nada comparadas com o que se seguirá quando aquele serzinho (aparentemente) frágil e indefeso sair cá para fora.
(Mamãs à espera de bebé, recomenda-se pararem a leitura deste post por aqui...) ;)
A ditadura começa logo ao primeiro choro. O nosso mundo pára de girar quando a nossa cria reclama. Fome, sede, fralda suja, sono, às suas ordens nos colocamos. Os nossos hábitos já enraizados desaparecem à velocidade da luz (ou melhor, do som, e um som bem agudo...), porque aquele bebé torna-se o centro da nossa própria existência. Meses sem dormir decentemente. Quando pensamos que está tudo sossegado e podemos ter um minuto para nós, lá recomeça a rotina toda de dar de mamar, trocar fralda, adormecer...
Mas o milagre acontece a cada segundo que passa. Tudo no nosso bebé nos inspira carinho e descobrimos em nós uma capacidade de amar para além de tudo aquilo que supúnhamos ser possível. Um amor que nos faz virar feras quando vemos os nossos filhos atacados ou menos bem tratados, que nos faz muitas vezes perder a objetividade e cair no exagero de tudo lhes perdoar sem lhes mostrar as consequências dos seus atos, de tudo lhes dar sem olhar a meios, de só lhes mostrar o lado doce da vida. E quem disse que os pais são perfeitos? Aprendemos a caminhar nesta missão assim como os nossos filhos aprendem os primeiros passos. Caímos vezes sem conta, mas procuramos apoio e levantamo-nos, umas vezes com firmeza, outras mais hesitantes... Não há pais perfeitos, há sim pais que se esforçam, que aprendem com os seus erros.
Sou uma dessas mães, nada perfeitas, cheia de falhas, mas que procura olhar para estes quase dez anos de aprendizagem e retirar lições que permitam um futuro tranquilo e feliz para a nossa família. Não me posso queixar, tirando o gene da teimosia que tanto eu como o meu marido temos e que devemos ter passado em dose dupla ao nosso rebento, o G. é um menino super bem-disposto, tão bem-disposto que às vezes até cansa. Nestes quase dez anos, as gargalhadas dele superaram a uma grande distância as birras, tem um coração lindo, um sorriso que lhe sai projetado da alma, tem tudo isto mas também tem dias menos bons, como qualquer criança - algo de errado se passará com aquela que for sempre irrepreensível.
Nesses momentos menos razoáveis, há que o trazer à terra. Mostrar que mesmo ele sendo o centro do nosso mundo, isso não quer dizer que tudo lhe seja permitido. Que nós, pais, mesmo não sendo os absolutos donos da verdade, temos mais experiência e só pensamos no bem-estar dele, que a sua curta existência ainda não consegue discernir todos os perigos que as suas atitudes e comportamentos podem provocar.
São os momentos 'Não'. Dizer 'não' aos nossos filhos no momento certo é dos melhores contributos que podemos dar para que se tornem adultos responsáveis. Quando tudo são facilidades, o preço a pagar pode ser caro demais. O amor que dedicamos aos nossos filhos não é proporcional às vontades que lhes fazemos. E também não há mal nenhum em lhes fazermos a vontade quando as situações são racionais. O perigo vem quando a criança nunca é contrariada e se torna uma pequena ditadora. Será sempre um adulto que não saberá lidar com as suas frustrações.
(Mamãs à espera de bebé, recomenda-se pararem a leitura deste post por aqui...) ;)
A ditadura começa logo ao primeiro choro. O nosso mundo pára de girar quando a nossa cria reclama. Fome, sede, fralda suja, sono, às suas ordens nos colocamos. Os nossos hábitos já enraizados desaparecem à velocidade da luz (ou melhor, do som, e um som bem agudo...), porque aquele bebé torna-se o centro da nossa própria existência. Meses sem dormir decentemente. Quando pensamos que está tudo sossegado e podemos ter um minuto para nós, lá recomeça a rotina toda de dar de mamar, trocar fralda, adormecer...
Mas o milagre acontece a cada segundo que passa. Tudo no nosso bebé nos inspira carinho e descobrimos em nós uma capacidade de amar para além de tudo aquilo que supúnhamos ser possível. Um amor que nos faz virar feras quando vemos os nossos filhos atacados ou menos bem tratados, que nos faz muitas vezes perder a objetividade e cair no exagero de tudo lhes perdoar sem lhes mostrar as consequências dos seus atos, de tudo lhes dar sem olhar a meios, de só lhes mostrar o lado doce da vida. E quem disse que os pais são perfeitos? Aprendemos a caminhar nesta missão assim como os nossos filhos aprendem os primeiros passos. Caímos vezes sem conta, mas procuramos apoio e levantamo-nos, umas vezes com firmeza, outras mais hesitantes... Não há pais perfeitos, há sim pais que se esforçam, que aprendem com os seus erros.
Sou uma dessas mães, nada perfeitas, cheia de falhas, mas que procura olhar para estes quase dez anos de aprendizagem e retirar lições que permitam um futuro tranquilo e feliz para a nossa família. Não me posso queixar, tirando o gene da teimosia que tanto eu como o meu marido temos e que devemos ter passado em dose dupla ao nosso rebento, o G. é um menino super bem-disposto, tão bem-disposto que às vezes até cansa. Nestes quase dez anos, as gargalhadas dele superaram a uma grande distância as birras, tem um coração lindo, um sorriso que lhe sai projetado da alma, tem tudo isto mas também tem dias menos bons, como qualquer criança - algo de errado se passará com aquela que for sempre irrepreensível.
Nesses momentos menos razoáveis, há que o trazer à terra. Mostrar que mesmo ele sendo o centro do nosso mundo, isso não quer dizer que tudo lhe seja permitido. Que nós, pais, mesmo não sendo os absolutos donos da verdade, temos mais experiência e só pensamos no bem-estar dele, que a sua curta existência ainda não consegue discernir todos os perigos que as suas atitudes e comportamentos podem provocar.
São os momentos 'Não'. Dizer 'não' aos nossos filhos no momento certo é dos melhores contributos que podemos dar para que se tornem adultos responsáveis. Quando tudo são facilidades, o preço a pagar pode ser caro demais. O amor que dedicamos aos nossos filhos não é proporcional às vontades que lhes fazemos. E também não há mal nenhum em lhes fazermos a vontade quando as situações são racionais. O perigo vem quando a criança nunca é contrariada e se torna uma pequena ditadora. Será sempre um adulto que não saberá lidar com as suas frustrações.
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